terça-feira, 7 de março de 2017

*Somos o que somos, ou somos uma construção da sociedade na qual estamos inseridos?


Estou cada vez mais tendenciosa a acreditar que nossa verdadeira essência fica muito longe do que aparentamos ser para nós mesmos. Parece que não há uma certeza imediata, somente depois de muita busca por pura inquietação, é que talvez, possamos perceber que nem tudo que aparentamos ser, somos de fato!!!
Não julgo, nem condeno quem não se permite inquietar-se e questionar-se sobre sua origem existencial, entretanto diante de tantas experiências, não consigo deixar de perceber que utilizamos  inúmeras máscaras para tentar corresponder ao que desejam de nós, ainda que isso nos incomode. Muitas drogas, como a bebida, por exemplo, nos ajuda a anestesiar a pressão social.
Há também os medicamentos adquiridos nas drogarias, como: calmantes e analgésicos mil,  que, de fato, anestesiam nossa realidade de ser. Outras drogas ilícitas, também ajudam a aliviar a dor do não saber quem somos.
Há outros artifícios também que não nos permite questionar nada, talvez seja o mais perigoso, são drogas infalíveis disfarçadas de passatempo, tais como: novelas, programas sensacionalistas, excesso de informação que nos tonteiam, dando-nos a sensação de que estamos bem antenados, entretanto, só ludibriam nossa atenção para uma desinformação subliminar.
Sinto que estamos perdidos!!! Bem longe de nós.  O Ser, o que realmente somos, parece não interessar mais. Busco inúmeras respostas para tentar resgatar minha natureza, aquela que nasci e que durante um pequeno período de vida fui, de fato eu mesma.
O meio influencia muito, a educação que recebemos em casa ou nas comunidades, nas quais fomos inseridos, por nossos responsáveis (familiares) por acreditarem que seria o melhor caminho para nosso desenvolvimento social, ético e moral. Nesse momento é que começo a entender as revoltas de ideais de alguns jovens, que na verdade estão querendo clamar, desesperadamente, que não desejam ser tudo o que foi esperado que eles fossem. Desenvolve-se, então inúmeros conflitos existenciais e de geração. Claro que isso não é regra!!!
É muito ruim ser a projeção do que os pais e a sociedade esperam de nós. A tentativa de corresponder, com certeza, um dia, nos fará adoecer ou nos tornarão pessoas submissas e frustradas. O número de doenças psicossomáticas vêm crescendo assustadoramente, neuroses de todos os tipos, carências afetivas disfarçadas de falsa autoridade, medos, baixa autoestima, entre outras...
Estar só e em silêncio, pode ser um exercício de resgate maravilhoso!
Buscar o ócio criativo também pode ser útil, mas o fato é que a maioria de nós precisa de barulho externo para não escutar o interior e desnudar-se das máscaras existenciais. Não é uma tarefa fácil e indolor, descobri que muitos de nós não passamos de uma construção social e  através dessa conclusão surge um vazio tão profundo que nos deixam perplexos ou angustiados. Mas, acredito que seja o grande sentido da vida, mergulhar em águas profundas para um resgate "homeopático" da verdadeira identidade do nosso EU.
A autenticidade e a permissão desse mergulho no precipício da existência revela muito mais riquezas para nossa vida do que simplesmente representar "personas", no verdadeiro palco, que é a própria vida.
Escolhi como imagem a representação das borboletas, pois acredito, que possamos fazer uma metáfora do caminho de surgimento destas com o nosso desenvolvimento infantil.
Antes de se tornar uma borboleta, era uma espécie acorrentadas num casulo. Para sair desse casulo, assim como sair do conforto do útero é preciso esforço. Dói, dói muito... Mas, de repente, eis que suas asas se desenvolvem, assim como nós seres humanos no nosso desenvolvimento de inúmeras etapas da infância, aí começamos a experimentar uma certa liberdade que, ao meu modo de enxergar, é um lançar-se na vida como o voo das borboletas.
É dessa liberdade, a sensação da descoberta do mundo, através da curiosidade das sensações, engatinhando, caindo e levantando, até atingir um equilíbrio para caminhar sem mais artefatos, que acredito que seja nossa verdadeira essência!!!
E a busca segue...

Vanessa Ribeiro*            

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

*Novo olhar

Estive hibernada em mim. O ano de 2016 foi um enorme desafio existencial, o país expurgando suas dores, a vida um pouco carregada de tantos acontecimentos, pessoas queridas sofrendo e eu em enormes buscas para dar sentido novamente ao existir.
Descobri que a dor liberta e fortalece se temos entendimento, se enxergamos nela uma possibilidade de crescimento pessoal.
Atravessei quedas diversas, cai e levantei muitas vezes. Questionei a mim e ao mundo, chorei mais que sorri.
Eu que tenho o riso solto descobri uma pessoa capaz de tatear os mais profundos esconderijos de minha alma. Lembranças do passado atormentaram meu Ser. Vivências de muita fragilidades, por vezes, tentavam me fazer desistir. Resisti.
Sombras guardadas debaixo do tapete apareceram sem redenção. Deparei-me com lugarejos destroçados e ocultados por meu orgulho e vaidade. Precisei reconhecer diversos aspectos dolorosos para reformular um novo EU. Cada vez mais transparente e autêntico. Difícil caminho de mergulho existencial, quase perdi o fôlego, mas através de muita ajuda, estou aqui. Muito mais inteira do que antes. Mais apta à enfrentar as quedas das armadilhas de uma vida sem garantias.
O agora se torna muito mais agora, sonhos deixei de sonhar, portas precisei fechar, fôlego tive que retomar e junto ao medo, coragem precisei criar.
Não! Não me arrependo de nada, nem das dores. As amizades sinceras banharam meus momentos de alegria. Algumas pessoas deixei partir e novas deixei chegar. Movimento constante de reforma íntima e necessária para crescer e viver inteira, cada vez mais inteira.
Silenciei diversas vezes por falta do que expressar, escondi-me em meus pensamentos e sentimentos mais profundos, mergulhei no meu olhar interno. Revoltas precisei enfrentar, nem sempre a doçura prevalece em lutas tão profundas. Percebi minha pequenez diante ao mundo, ao universo vasto e complexo. Porém percebi o universo que havia em mim. Pirei!!!
Compreendi que o caminho é mais longo do que imaginava, as máscaras caíram uma a uma e fui descobrindo-me incompleta, dona das minhas próprias escolhas, responsável pelas ruas que decidia caminhar. Não conseguia mais voltar para trás, precisei seguir confiante que em algum momento chegaria em algum lugar.
Ilusões caíram por terra. Nitidez se fez presente, nem sempre olhar para dentro é confortável. Ao redor conflitos mil. Como ficar incólume a dor alheia? Acreditava ser impossível.
Quando, de repente percebi que me confundia na dor do outro, parei e decidi: Não posso viver o que não me pertence. Solidária, sim, posso continuar. Mas sentir a dor alheia é egoísmo com o outro, não acreditar que o outro é capaz de suportar. Quanta vaidade!!! Quanta pretensão!!!        
Contudo surgiu um novo olhar, mais real, mais palpável, mais possível.
Chega de só idealizar!
Lutar para colocar em prática é sonhar com os pés no chão e com possibilidades reais de concretizar. Os sonhos são mais lúcidos. Tornei-me mulher guerreira. Arranquei forças das minhas entranhas para continuar. Agradeço a oportunidade de sempre questionar e querer mais, porque tudo, às vezes é pouco demais. Testei meus limites, coloquei-me a prova, fiz em mim um lugar de repouso para minha alma mesmo tendo consciência de que o caminho de autoconhecimento é solitário demais.
Que esse ano eu consiga colher os frutos das minhas descobertas.
Se estou frustrada? Nunca, jamais.
Sinto-me grata.

Simplesmente Vanessa*  

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Renovação*

Percebi que para estar bem, totalmente liberta das amarras dos agendamentos incutidos durante anos em nossas vidas, precisamos dar um salto de coragem. Esse salto é deveras dolorido pois o medo tende a rondar pelas esquinas do caminho das mudanças mais profundas da alma.

Entretanto com a ajuda correta, escolhida pelo ser-singular, através de terapia e da autoaceitação, é possível. Não importa as ferramentas para a decidida mudança, basta "querer mudar", sair do conforto do que se conhece para abrir as portas para o novo. Sei que este novo traz muitos questionamentos e receios profundos. Choros compulsivos, inseguranças, dúvidas são algumas das tentativas de atrapalhar esse salto. Nossas sombras mais escondidas ou enterradas pelo nosso Ego, gritam tentando nos impedir de enxergá-las para ir de encontro à passarela da felicidade. Mas, depois de expurgar as purulentas dores emocionais, eis que aparece luz, um ponto ao longe, quase imperceptível.

Só, somente, quando focamos nesse ponto de luz é que há a possibilidade das mudanças de percursos para o melhor, para a celebração da verdadeira vida feliz, livre de mágoas, dores acumuladas. É nesse momento que se faz preciso coragem para se preparar para o salto e seguir sem olhar para trás. E aí, fechamos os olhos do medo, do inseguro e saltamos para cair de pé.

Como foi e é difícil caminhar ao encontro da clareza, dessa luz devassadora que por vezes nos cega de tanta franqueza quanto ao nosso modo de ser e agir no mundo. Os papéis existenciais vão se costurando como uma colcha de retalhos, o resultado final é uma satisfação e contentamento de ser quem se é. O senso comum se torna quase desnecessário para novas tomadas de decisão. As novas escolhas, muitas vezes, assustam àqueles que mais estão próximos de nós. Contudo, o julgamento alheio se torna argumento fraco. Nos tornamos novamente estrangeiros dentro de nossos círculos sociais, nada previsíveis. Os olhares são mais recatados, somos analisados de todas as formas. Mas a certeza do caminho de luz que decidimos seguir não nos incomoda mais com olhares de quase investigação do novo ser que sempre existiu, contudo, apresentamos nessa nova mudança. 

Como é bom sair do casulo e voar livremente para qualquer lugar onde se deseja, verdadeiramente, estar! O arco-íris da vida nos mostra mil possibilidades de ir de encontro para nossas convicções de se apresentar como queremos e sabemos, é claro, seres ainda aprendizes de uma caminhada constante, eterna, contínua... O dia amanhece mais colorido mesmo nublado, o café se torna mais saboroso, as manhãs são motivos de celebrar, a música se torna uma companheira constante, o desenhar de nossos movimentos parecem mais harmoniosos, a gratidão invade nossa alma e o sorriso escondido aparece quão luz no caminho do outro, irmão de caminhada, tão aprendiz quanto nós. As palavras se tornam mais acolhedoras, calmas, refletidas. Surge uma sabedoria sagrada latente, a vida se faz leve, saborosa, as risadas ficam mais acentuadas, as notícias desastrosas não nos pesam mais... Tudo muda ao redor, refletimos nosso interior e a vibração muda de acordo com nosso novo estado de liberdade de ser.

Brindemos!
Sejamos!
Permita-mo-nos!
Porque merecemos tudo àquilo que plantamos.
Que a felicidade, realmente, se torne rotina!!!  

*Vanessa de S. Ribeiro
Professora, dançarina, professora de teatro, consultora de beleza e filósofa clínica.  

sexta-feira, 25 de março de 2016

* Conexão...

Há momentos na vida que uma voz interna te chama. Nesses momentos vive-se uma profunda interação do ser interno com o ser externo. Há uma conexão!!!
Encontro a paz tão desejada pela humanidade e sinto-me estranha no mundo ao redor. Parece que estou envolvida em cores que dançam ao luar, tudo soa luz. As coisas aparentemente maldosas tornam-se nada e o nada torna-se não-ser! Caminhar e decidir a direção através da intuição não é tarefa fácil, mas é preciso.
E de repente, teu destino se torna tuas decisões e tuas renúncias. Entretanto, por mais insegurança que eu tenha, se o caminho que escolhi é o melhor a seguir, mais confio que o é!!!
A loucura do livre arbítrio cura as mazelas da falta de responsabilidade da própria biografia. A vida se enche de artefatos, parafusos, chaves, fechaduras e portas diversas...
Surge, então, uma pequena agonia, fria, vazia, sem conexão.
O medo tenta invadir o coração que conquistou a paz tão desejada, porém a certeza da proteção maior faz o temor minimizar. A tristeza chega de mansinho, bem devagarinho, de fininho.
Fecho a porta!!!
Não! Não é isso que quero biografar...
Muitas coisas ainda não foram claramente reveladas, a ansiedade insiste em tentar se abrigar no meu coração, escolho que não!!!
Renuncio a estabilidade do escuro existencial e abro a porta da oportunidade para viver melhor, mais plena, mais amena, mais serena e feliz...
Sempre desejei uma felicidade ostensiva, grande, cheia de enfeites existenciais, mas só hoje percebo que a verdadeira felicidade é possível através de coisas simples do cotidiano. Incrível ter buscado tão longe, fora, em algum lugar, o que sempre esteve perto, dentro da chama sagrada que vive no centro do meu peito.
Floreio meu jardim com amigos e amores. Pessoas e coisas queridas. Escolho com mais tranquilidade onde e com quem quero estar. Não lamento o que passou, agradeço o agora e espero flores perfumadas na longa caminhada terrestre. Ainda que a dor bata e tente entrar por entre a fresta da porta, seguirei confiante na colheita da minha semeadura.
Eis uma lei infalível!
Gratidão pelos anjos que me rodeiam e pelas mais belas vibrações que se revelam no meu ser, quase não caibo em mim de tanto contentamento.
Tudo parece estranho, um estado nada comum na minha jornada. Reflito se não estou delirando, contudo, se tudo que sinto hoje for delírio, que seja eterno e terno a cada dia esse processo de encantamento pela existência e pelo sentimento de liberdade de ter certeza que somente eu posso conduzir meu viver!!!
A vida vale muito.
Viver é escolha e não opção.
Opção é sobreviver das migalhas derramadas pelo caminho tortuoso da falta de esperança e fé. Da certeza de que tudo pode ser controlado por nosso bel prazer, embora, por muitas vezes, num profundo engano, esqueçamos que nada podemos controlar.
Há uma inteligência maior que harmoniza a totalidade, ainda que seja necessário o caos, que é apenas um lado da polaridade do equilíbrio.
Enquanto entrego meu destino para a felicidade e para a paz, vou dançando, estudando, trabalhando, colorindo, amando, sendo...
Simplesmente.
Eu Sou!!!!

Vanessa de S. Ribeiro
Professora, atriz, filósofa clínica, dançarina... *

sexta-feira, 11 de março de 2016

*Indignação?

Pensei em escrever um protesto!!! Com tantos acontecimentos que detesto, dá vontade de gritar para desabafar, mas meu manifesto é através do meu trabalho de cada dia, através do contato diário com diferentes tipos de pessoas que lutam por uma vida digna, feliz e livre.
E, pensando um pouco mais, sinto e percebo que mudanças estão chegando. Processos, investigações, denúncias, indignações. Somos pessoas do Brasil, esse Brasil guerreiro que canta, trabalha e sorri. Muitos devem pensar... Que país desordenado! Eu entendo. Estamos fazendo a faxina, levantando a poeira para jogar fora o que não serve.
Sim!!! Precisamos de educação, acabar com a corrupção, alimentação digna para todos os brasileiros, políticas sociais verdadeiras e bem intencionadas... Precisamos de muito, porém eu tenho uma estranha mania de ver o lado positivo do progresso.
Somos um povo composto por vários etnias; Afros, Índios, europeus... Um povo genuinamente mestiço. Misturado, bagunçado e enrolado em diversas culturas... Isso é divino!
Um povo rico em alegria e resiliência. Um povo emotivo, que chora, ri, ajuda a um irmão sem pensar nos dias que virão. Somos esperançosos e não preguiçosos ou descansados como a mídia costuma dizer.
Mulheres e homens de bem, madrugam para ir ao trabalho, crianças brincam nas creches enquanto os verdadeiros brasileiros se ocupam em suas diversas funções. Médico, dentista, enfermeiros... Profissionais liberais, recepcionistas... Professor, veterinário, empresário... Donas de casa, secretárias do lar... e muitas outras funções. Pessoas ativas, com bom caráter e honestas. E não preguiçosos ou desinteressados com o seu país. Na verdade, esses profissionais são os grandes responsáveis pelo movimento de funcionamento do Brasil. Esse Brasil que não perde a mania de ter fé na vida.
País de múltiplas crenças; católico, judeu, umbandista, protestantes, pais e filhos de santo, budistas... Todos comungam o mesmo objetivo.
Paz na vida...
força, trabalho,
saúde e justiça.
Namastê!!!
Axé!
Amém!
Somos todos filhos de Deus ou deuses e santos, irmãos por humanidade e pela indigência que existe em cada ser humano. Falhos por conta de nossa ignorância, cegos por não enxergar a luz...
Novos em civilização...
Pátria amada,
Brasil!!!

Vanessa Ribeiro
Professora, filósofa clínica, professora de teatro, dançarina...*

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Decidi*

Decidi!!!! Está feito! Vou mudar...
Eu quero mudar tudo de lugar;
Trocar a disposição de alguns móveis, cadeiras, camas, penteadeira e até o meu sofá.
Reorganizar!
Ir em busca, um novo lugar, dentro ou fora...
Algumas coisas vou reciclar, outras doar, outras... ainda não sei bem onde vão ficar.
Quero mudar de paisagem, respirar novo ar, dentro e fora da casa, pois agora aprendi a caminhar.
Só falta agora a coragem de levantar-me do meu conforto existencial e ir em busca do novo, daquilo que vim fazer aqui. 
A liberdade interna se expande a cada dia e então começo a refletir o lugar onde quero estar, o cheiro das coisas, a tonalidade dos sentimentos, a umidade do ar.
Quero mostrar para mim mesma a poeira escondida nos cantinhos do meu caminho, bagunçar, desarrumar para poder limpar. Já sei como sou, não tenho mais medo da solidão, nem de "bicho papão", quero o lugar desconhecido, as paredes incertas, as portas entreabertas, o amanhecer sem rumo, sem destino...
Hoje quero tudo isso e espero com serenidade e paz, a maturidade está fazendo com que eu percorra muitos caminhos tranquilos, nunca mais fiquei estagnada, a gente aprende que o movimento transforma algo em alguma coisa, não importa muito a coisa, o importante é a transformação.
Agora consigo respirar, saber o que quero e o que não quero.
Entrego minha vida ao fluir do existir, o destino regado de sabedoria me conduzirá ao meu melhor lugar, desisti de controlar. Agora eu quero aprender, mais, mais e tantas vezes mais eu precisar.
E o vento amigo que balança meus cabelos me conduzirá para que lado da estrada devo caminhar, não importa se for de trem, carro, carroça, ou bicicleta, ou simplesmente andando devagar, sei que respirando e seguindo em frente chegarei no meu destino.
Isso é liberdade.
Isso é vida.
Isso é o que minha alma anseia!!!

*Vanessa S. R
Professora de filosofia, filósofa clínica, dançarina, atriz...   



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Há tempos que não olho mais para trás...*

Há tempos que não olho mais para trás, não por querer fugir ou não querer enxergar o que foi vivido, mas por ter consciência que o amanhã não existe mais. Hoje sou assim, serena, confiante, amante da vida com todas as suas imperfeições. Talvez essa seja realmente a beleza da maturidade. Viver o hoje! O agora!
Entretanto, se for preciso curar alguma ferida ou reavaliar uma atitude que me inquieta, abro uma licença poética para fitar o passado. Só nesse caso. Não sou muito saudosista, nem gosto de ficar remoendo o que passou, gosto de abrir o peito para o novo, o por vir... Tenho a esperança como um leme para meu viver, aliás o que seria dessa mulher que vos fala se não fosse a esperança?
Sinto o cheiro da noite fresca da minha cidade natal, o silêncio de poucos carros que passam pela rua lá fora, o barulho dos meus pensamentos, a maciez do meu anoitecer. Ah!!! Como gosto da noite.
Secreta. Sincera. Amiga de sempre, companheira no momento de solidão. Como é bom viver e criar durante a noite.
A noite é misteriosa e sempre guarda um amanhã cheio de surpresas, agradáveis ou nem tão agradáveis. Qual será o próximo desafio que o dia apresentará?
Esse enigma me encanta.
Sinto vontade de chorar, não de tristeza, e sim de gratidão por estar tão lúcida diante de meus sentimentos e sensações. Vejo as pessoas ao redor em constante discussão, numa tentativa voraz de tentar encontrar alguma solução. Como somos crianças no campo da evolução!!!
A busca é minha paixão dominante, assim como de inúmeras outras pessoas com singularidades de intersecção positiva com a minha. Cerco-me de confidentes amigos-irmãos, amores sinceros e singelos, pessoas que me dirão verdades ou mentiras sinceras para não ferir meu coração. Construo um mundo particular paralelo ao mundo crise, violência e injustiças mil. Talvez seja julgada por alienada, contudo, não me importo mais, quero paz. Talvez os que me julgam assim, não consigam enxergar a vida como um todo, um uno.
Acredito na vibração da não-violência, no calar na hora certa, na intuição da minha alma. Eu também quero um mundo melhor, com direitos e deveres iguais, entretanto eu já entendi que para contribuir com essa mudança preciso mudar o que não serve mais no meu mundo particular. Se eu cuidar de mim e de minhas virtudes, regando, refletindo a cada dia no que posso fazer para me aperfeiçoar, estarei fazendo tudo o que me cabe e contagiando com minhas atitudes os corredores por onde passar. Prefiro atos verdadeiros, ainda que desalinhados, buscando amadurecer.
Trabalhar os sentimentos se tornou minha mais linda obsessão!!! Gosto de perceber o quão humana sou e estou, na caminhada dessa existência sem destino traçado. O livre arbítrio nos obriga a escolher nossos caminhos o tempo todo. Sartre não estava enganado!!! Isso me deixa leve, saber que sou autora da minha história e de minhas escolhas. Aprendo muito, principalmente com as escolhas desmedidas e inconsequentes, já me aceito mais. Essa minha condição, igual a de todos os seres racionais, errantes e caminhantes me seduz mais e mais... E, eu aprendo... Quebrando a cabeça, por vezes o coração, tropeçando no escuro, como qualquer irmão.
Erguida aqui estou para continuar com minhas inúmeras provocações e inquietudes que quase não cabem em mim. Transbordo-me em palavras, na dança, nas minhas aulas, nas minhas relações, nas gargalhadas e nas lágrimas teimosas. E, assim, vou descobrindo um pouco mais dessa, insana doce vida, que se apresenta para essa mulher que amadurece a cada dia mais... e... mais.

Vanessa S.R
Professora de filosofia, atriz, dançarina, professora particular e dona do seu caminho*

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Que em 2016 haja mais delicadeza...*

31 de dezembro de 2015! Como dizem os contadores do tempo, último dia do ano, portanto, amanhã será um grande dia: 01 de janeiro de 2016! Primeiro dia do ano de 2016...
Eu gosto desse rito de passagem, escolher uma bela roupa, esperar a contagem regressiva, imaginar como foi meu 2015, que por sinal foi um ano com muitos desafios. Ufa! Venci. E esperar dias melhores e com mais delicadeza em 2016. É, entre tantos desejos que tenho para 2016, o que mais me toca nesse momento, é a delicadeza!!!
A delicadeza me agrada;
O toque delicado, palavras delicadas, abraços delicados...
Sinto uma profunda necessidade de delicadeza entre as pessoas. Relações delicadas me agradam. Vida delicada me agrada. Conversas delicadas são necessárias, pois viver é muito delicado.
Talvez haja em mim muita delicadeza reprimida por diversas situações difíceis que a vida apresenta para cada um em suas curvas fechadas. Pelo excesso de compromisso do dia a dia... Como acumulamos afazeres! Ufa! Estou de férias e ainda assim, por vezes sinto que estou atarefada. Como temos dificuldades em simplesmente viver...
Isso!!!
O andar delicado me agrada, o cheiro delicado. As pessoas delicadas despertam o melhor que há em mim, porque a delicadeza acalma, alimenta e conforta a inquietação de uma alma existencialista.
Talvez seja a delicadeza o ingrediente que complemente o amor trazendo paz e harmonia aos corações sequiosos de acolhimento.
E, a delicadeza faz da existência um lugar melhor.
A delicadeza realmente me encanta!!!
Já que o momento é de passagem, eu só peço um pouco mais de delicadeza para lidar com o semelhante-singular, para entender o silêncio do outro, para usar as palavras corretas, para viver em paz, num mundo onde precisamos de paz para seguir caminhantes pelos becos da existência.
Que todos sejam tocados pela delicadeza das flores e pela delicadeza do Belo.
Que a vida se apresente com mais delicadeza para uma maior ordem e harmonia, e, se mesmo assim a rudeza atravessar meu caminho, que eu tenha a calma e a delicadeza de recebê-la!!!!
Que venha 2016 repleto de delicadezas para mim e para você.

*Vanessa S R
Professora de filosofia, filósofa clínica, atriz, dançarina e sonhadora.      

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

* Conhecereis a verdade...

 Conhecereis a verdade...

Disse Jesus: - Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. E eu digo: - Conhecereis a verdade e o mito da sua existência se revelará e muito do que você sustentava como sua historicidade morrerá.
2015!!! Ano de muitas provações em minha vida, dores existenciais, limpezas emocionais, perda de uma amiga querida e depois perda de uma colega de faculdade.
Oh! Existir... Quão doloroso para uma alma sequiosa de respostas, questionadora constante, buscadora da verdade.
E, de tanto buscar... A verdade começa a se revelar de forma nua e sem nenhum pudor, avassaladora, sem dó ou delicadeza.
Mesmo assim, por maior que sejam as decepções e as idealizações, prefiro a verdade. E concordo com o mestre amado de que é a única verdadeira forma de libertação.
A ingenuidade da menina-moça-mulher cai por terra e surge uma mulher mais madura e mais questionadora. O meu castelo encantado desmoronou, descobri de forma dura e nada poética que o ser humano é demasiadamente humano, assim como eu. A Alice acordou!!! Sonhar é muito bom mas é preciso de concretude e alicerce para não cair num precipício sem fundo, nisso o ser amado me amparou e minha terapia me orientou.
Joguei minha bússola fora, sigo minha intuição, busco orientação com as estrelas e com o silêncio do momento presente. A lua faz meu mundo existencial mais coerente e mais harmônico com minha feminilidade. A dança foi uma das minhas salvações para tantas dores e rachaduras mentais. O trabalho, um grande aliado para manter minha mente mais razão, menos emoção, embora eu transborde sensibilidade, aprendi e aprendo a cada dia que é preciso canalizá-la no momento certo. As lágrimas foram minhas grandes aliadas para que meus sorrisos continuassem verdadeiros, solares. O amor daqueles que me querem bem me salvou das amarras da morte de mim.
Descobri o quão importante é não temer viver o luto, faz parte do processo de digestão emocional. Aprendi que a vida é cheia de surpresas e que o agora é nossa única certeza! Não, não me arrependo de nada. Parafraseando Edith Piaf!!!
Superei monstros e naveguei pela escuridão dos mares da vida, através da verdade pude entender mais minha singularidade, não que já tenha entendido tudo, isso ainda levará um bom longo tempo de conversas sinceras, busca interna e sessões de terapia.
Bem, o fato é que sobrevivi, andei sumida daqui, e, de vários outros lugares. Entretanto, sinto-me muito mais forte do que antes dessa tempestade interna.
É preciso coragem para esmiuçar sua historicidade, encontram-se monstros e belas fadas. Nunca podemos esquecer da dualidade constante que faz parte da natureza humana. A fé me faz continuar e razão me estimula a conhecer mais e mais...
Que venha um 2016 com paz, luz, saúde, harmonia, prosperidade e acima de tudo com VERDADE. É a única forma que minha singularidade se liberta.



*Para a amada amiga Lee Moreira de Carvalho, deixo meu agradecimento por tê-la conhecido e aprendido a ser mais forte. Nossas conversas do "mensager" não consegui apagá-las, pois foram conversas com confissões e com muito querer bem de uma com a outra!!! Sempre te amarei e te guardarei em meu coração.
*Para Denise Neto, professora de filosofia, que foi uma colega de faculdade e se foi tão cedo, deixo meu carinho e gratidão por ter sido tão amada por seus alunos e por mostrar que a filosofia pode ser uma grande aliada. Obrigada por ter enriquecido nossa profissão!

O momento de luto está acabando e o sol voltará a brilhar no meu coração.

Vanessa S.R*
Professora de filosofia, atriz, dançarina e professora particular.        









quinta-feira, 24 de setembro de 2015

*As aparências enganam?

Ando caminhando pelas ruas fingindo sorrisos para disfarçar lágrimas que molham meu olhar. Finjo que tudo vai bem e que meu coração está em contentamento, mas será? Será que existe uma fórmula para saber o que realmente passa nos corações sequiosos de paz, luz, silêncio...
E, eu, que sempre fui tão barulhenta, que tenho a gargalhada solta, tenho preferido recolhimento e silêncio. Até um simples cumprimento me deixa irritada. Ah! Se eu pudesse fazer voto de silêncio por uma semana? Como seria agradável não responder: - tudo bem. Coisa mais desagradável é quando você está no auge do mau humor e chega um simpático indivíduo e te pergunta se está tudo bem. A vontade que tenho nesses momentos é de gritar bem alto para assustar a criatura, mas, como? O que pensariam da bela moça com esses modos histéricos no meio da rua? E, as línguas maldosas!!!
Estou farta de representar o papel da boazinha e educada para agradar algumas pessoinhas... Que tédio ter que responder ou dizer todo dia: "Bom Dia!!!"
E, na minha caminhada solitária continuo tentando encontrar colorido ou algo para preencher o vazio que transborda em lágrimas nas minhas noites insones. Sinto como se meu punhal cigano estivesse fincado no centro do meu peito e que a dor do sangue derramado nunca terá fim.
E, mais uma vez, lá vem "o senso comum": "Você brigou com alguém?" " Por que está triste se o dia está tão bonito?" " Aconteceu alguma coisa?"
" Não chore"... blá, blá blá...
Odeio perguntas!!! Odeio justificativas óbvias. Por que a vida teria que ter tanta obviedade. Quanta falta de criatividade!!! Af, ando muito cansada de explicar muitas coisas, de tentar minimizar a ignorância alheia em relação ao meu sentir. Quero paz pra sentir o que quiser. Quero paz para sentir raiva, paz para sentir culpa, paz para sentir tristeza.
Na verdade eu quero é paz!
Mas a caminhada de cada dia não pode parar, tudo deve estar em perfeita harmonia e ordem e se por ventura escapar uma lágrima, uminha só. Seque e siga engolindo a hipocrisia de cada dia.
E, eu?
Estou bem, obrigada.
Vanessa.
(alguém que sente)*   

sábado, 22 de agosto de 2015

*O inverno da alma...

Percebo a cada dia, um frio que sai de dentro do meu coração, sequioso por sol. O calor aquece a alma dolorida e recupera a caminhada cansativa de cada dia. Estive hibernada em mim durante muito tempo. Precisei entender processos escondidos dentro de um compartimento secreto que só foi possível acessar depois de muita dor e sofrimento.
Não gosto do inverno e confesso que quando sinto que ele está indo para longe trazendo a primavera, meu coração se enche de flores perfumadas de plenitude. Moro na serra de Petrópolis, onde há dias cinza e de nevoeiro. As tardes são úmidas e frias nessa estação temida por quem se encolhe e se esconde debaixo de várias peles para aquecer o corpo e o coração.
Olho pela janela do meu quarto e vejo o céu. Isso me anima. Como o céu de inverno é bonito!!! Quase romântico. A lua sempre exuberante me lembra vida ainda existente em algum lugar perto ou distante de meus pensamentos que caminham em direção ao nada e à melancolia. Volto para dentro do meu mais profundo Ser e sinto vontade de chorar. A sensação de prisão aumenta, quase não consigo respirar de tanta angústia e vazio no centro do meu peito. Sei que é só um momento casulo e que em breve a libertação da beleza da borboleta metamorfoseada em gargalhadas chegará, então, meus olhos úmidos de tanto chorar secarão e voltarei a senti-lo brilhar diante da beleza ensolarada e quase quente da primavera.
Depois das flores se abre em meu caminho a esperança do verão! O calor aquece minha escuridão e quebra minha geleira interior. Tudo parece mais claro no verão. Há uma leveza agradável no vestir livre e descontraído, as peles diminuem e o balanço do meu andar se alarga e acalma meu coração. Expansão! Explosão! Erupção esperada e desejada por longos dias de alma gelada, quase morta, pálida. A cor de saúde começa a aparecer nas ruas e nas peles desbotadas de inverno dos passantes nas calçadas. A vida se engrandece e a minha gratidão se aquece ao sol de um quase verão.
Tudo aquilo que era dramático e apático no inverno recomeça tomando uma forma de vida cheia de esperança. Os pássaros cantam! A natureza se alegra e a vida recomeça para meu existir verdadeiro. Meus poros se abrem para as gotas salgadas do suor merecido depois de uma aula de dança. O banho no corpo desce pelo ralo levando e lavando as tristezas esquecidas no inverno. O amor é mais rico e meu corpo pede troca de mais calor. As gotas de suor dos poros sedentos se misturam ao ser amado e tudo se torna uma alquimia perfeita de muito contentamento...
Começa uma nova fase em minha alma: o verão.
Nessa fase a dor se torna mais suportável. O amanhecer traz um ar de cheiro de café bem forte com torradas e muita manteiga. A vibração de alegria se aproxima da minha existência tentando provar que a vida ainda vale muito, sinto o canto dos anjos e a beleza de um dia cheio de energia. O levantar da cama é muito agradável. Abro a janela e vejo o sol entrar, invadir todo meu corpo, toda minha mente, o pensamento clareai e os sentimentos se acalmam. Ai, como é bom sentir calor até se cansar. Amo essa sensação de moleza no corpo e leveza na alma. Eu nasci para o sol!!!

Vanessa Ribeiro
Professora, dançarina, filósofa e filósofa clínica.*
 
    


sexta-feira, 24 de julho de 2015

O despertar...*

Nada, absolutamente nada vai me fazer retroceder o caminho que percorri, sofri, amei, briguei e muitas vezes chorei. Só penso em olhar para frente, ainda que com um aperto no centro do peito tenha vontade de parar. Nada, nada me fará desistir desse caminho de busca escolhido por mim, nem dores, nem desânimo, nem medos. Nada! Eu cheguei até aqui e ainda que eu morra de tanto chorar, curarei essa ferida aberta e purulenta que venho cultivando há tempos.
Chega de reclamar de meus tropeços, tenho o direito de tropeçar. Todos temos esse direito!!! Chega de tanta cobrança e autocrítica por uma vida linear, sem obstáculos, curvas, erros. Chega de querer ser a expectativa alheia para merecer migalha de algum sentimento.
Mas, nada, nada mesmo me fará voltar. Seguirei daqui, olharei vagamente para traz somente para admirar minha caminhada, sem críticas, sem menos ou mais. Luto, lutei e continuarei a lutar por minha vontade de ser feliz num mundo em que a felicidade parece impossível, utópica. A sensação que tenho é que as pessoas felizes, verdadeiramente, são tachadas de ignorantes! Quanto preconceito agendado em minha mente. A vida me fez assim e talvez eu tenha aceitado essa construção sem questionar.
Ignorância é não tentar buscar a felicidade, é ser uma vítima eterna do sofrimento que a existência por muitas vezes nos apresenta. Ninguém está imune ao sofrimento. Tristezas, angústias, dores existenciais são normais e saudáveis, mas a falta de felicidade é uma vida vivida pela metade.  Apesar de saber ou intuir que a completude não é dessa vida.
Sei que ainda terei muito medo, pararei para respirar e tentar perceber que apesar da imensidão do universo nunca estaremos totalmente desamparados. Eu já consigo enxergar, vagamente, um caminho a ser percorrido nessa nova fase da minha existência. Andei por tanto tempo imersa em mim mesma que o externo está mais vibrante, clareou. Precisei passar por muitas desconstruções, desagendei muitas crenças ultrapassadas para trazer mais de mim para meu centro existencial. Só agora, depois dessa imersão, posso compreender o porquê da necessidade de abrir caminho para a dor passar, e, passa!!! Aliás, tudo passa.
O sofrimento poderá ser uma fonte fecunda de aprendizado e de humanização. A sensibilidade com as circunstâncias ao redor fica mais ativa e viva. E já nem quero mais me livrar da minha sensibilidade, partindo do pressuposto, que sou também essa sensibilidade.
A sociedade, em geral, com raras exceções, ainda não está preparada para lidar com pessoas tão profundas no sentir e no expressar esse sentimento, não importa se o sentir é positivo ou negativo. O fato é que pouco se valoriza as questões da alma. Somente o que é visível aos olhos costuma ganhar um maior destaque, entretanto, sinto que alguns já perceberam que o sentido da vida não pode ser simplesmente viver por viver. Há uma intenção em cada vida existente, ainda que eu não saiba qual seja, tenho uma quase certeza de que o habitar nesse planeta não é um passeio sem encontros, desencontros, conflitos, indecisões, um mero acaso, é algo muito maior que nossa inteligência e raciocínio lógico ainda não são capazes de compreender em sua totalidade.
*Vanessa Ribeiro
Professora, dançarina, atriz e filósofa clínica...   

quinta-feira, 16 de julho de 2015

A noite em mim...*

Transformo minha dor em poesia, música e movimento. Sinto saudades de coisas ainda não vividas. Essa é minha vida!
Desencontros familiares me chegam dizendo que muitos dos meus, pessoas do meu sangue, são estrangeiros na minha estrada. Tão estranho ter e não ter pessoas verdadeiras e reais no convívio familiar. Buracos emocionais foram construídos dentro do meu ser, procuro explicação para tentar aliviar a dor. Mas, nem sempre teremos acesso a todas as explicações de nossa existência, pois a própria existência escorre pelos dedos da mão. Apesar de tudo, eu acredito na lua, acredito na noite perfumada e acredito no movimento para anestesiar os dramas do dia a dia.
Cada um sabe quais são os vãos de seu existir. Nunca devemos, ou deveríamos julgar atitudes do nosso irmão, mais ou menos próximo de nós. As feridas existenciais têm me mostrado o quão pequenos somos diante da imensidão da vida e do universo, seja o universo particular ou o universo em que estamos inseridos como seres humanos.
Buscar-se é tarefa complexa, entretanto, em muitos casos é a única forma de curar o universo particular desajustado de alguns. Se algo dói, paralisa os sentidos e impede a sua expressão, está na hora de olhar para dentro da casa coração e tentar perceber se há algo que se possa fazer para atenuar essa dor.
A vida é cheia de surpresas, agradáveis e desagradáveis, a noite é simplesmente o mistério de um novo amanhecer, uma nova surpresa, boa ou ruim. Mesmo sabendo de tudo isso, eu gosto da noite. Gosto de sentir a esperança de que o amanhã poderá ser melhor que o hoje, gosto de imaginar que em um "passe de mágica" acordarei mais feliz, mais viva, mais disposta a recomeçar.
A noite me faz criativa e mais ativa, meus pensamentos transbordam e se enchem de ideias, soluções que com o barulho do dia não havia tido acesso. Parece que a vibração da noite traz muitos "insigts" para os poetas e os profetas. Não tenho a pretensão de pertencer a nenhuma das duas categorias, porém, as maiores e mais nítidas ideias e inspirações me chegam numa noite quieta. Descobri que gosto do silêncio quando não quero interagir com o outro. Prefiro calar-me e sentir o ir e vir das ações cotidianas. O barulho da televisão ensurdece minha alma, procuro respirar e fugir desse barulho. Realmente a televisão tem se tornado cada vez mais inútil nesse meu processo de reconstrução!!! Nem filme me agrada no momento, estou mais amiga dos livros e das tintas das canetas. Se isso é bom ou não, não importa, é um processo muito particular.
Sinto falta daquela vaidade quase histérica com o meu cuidar de mim, entretanto, sinto que quando esse processo passar a histeria voltará com mais mansidão, sem pressa, sem tantos excessos. Sem culpas e cobranças externas. A seriedade ainda me acompanha, o sorriso ainda está apático, a esperança ainda está tímida mas a fé continua escondida num compartimento secreto do meu coração!
Por agora, nada mais para compartilhar. Só meu fascínio pela noite que nunca cessará.
*Vanessa Ribeiro
Professora, dançarina, filósofa, atriz                

domingo, 7 de junho de 2015

Procurando me encontrar...*


 A vida nos faz criar diversas expectativas em relação a nós e em relação aos outros, entretanto expectativas são apenas expectativas. O desnudar-se de si, o olhar profundo para o EU que habita em nós, pode trazer verdades nada agradáveis em relação às expectativas criadas por nós mesmos. Tenho sentido os abismos existenciais que há na relação entre meu EU e a expectativa que criei do OUTRO.
Nua tenho me sentido, a cada dor e a cada movimento de autoconhecimento, mas não estou lamentando minha historicidade, pois é a única coisa real que tenho. Lamento deparar-me com os aspectos mais obscuro da minha singularidade, embora saiba que temos dois lados lindos: o apolíneo e o dionisíaco. Uma polaridade não viveria sem a outra nesse mundo de dualidades e contradições. A dualidade presente a cada modo de pensar nos diversos papéis existenciais que somos obrigados a representar socialmente nos deixa escravos da opinião do outro. Assim é que me parece!!!
Entendo que nem tudo que parece para meu ser existente, parecerá para o outro. O universal não é confiável, sei que somos singulares, porém, acredito que muitas singularidades se identifiquem umas com as outras em vários aspectos. Talvez, seja esse um dos motivos pelos quais, ouso expressar em palavras escritas meu mundo particular. Se minhas palavras não forem úteis para agradar ou desagradar o leitor não teria muito sentido, no meu entender, compartilhá-las.
Meu olhar está sempre em busca de um entendimento do sentido real para o existir. Mesmo que não haja nenhum sentido real. O discurso da lógica delirante tem se apresentado como uma nova forma de reinterpretar minha visão cartesiana, diversas outras possibilidades aparecem diante de minha singularidade quando reflito sobre essa forma de expressão: a lógica delirante. Muito ainda preciso conhecer sobre essa lógica, que apesar de sempre ter habitado nosso convívio social, ainda não tinha sido conhecida de maneira tão clara para meu mundo.
Nua continuo caminhando para um encontro comigo. Enquanto caminho por essa estrada longa vou realizando minha vida da forma menos dolorida possível. Utilizo meus medicamentos para a alma. Danço a alegria, a tristeza, o amor e a dor. Movimento meu ser diante de mim e do outro. Leio compulsivamente tudo o que possa acrescentar esse encontro tão esperado. E, em fragmentos, vou reconstruindo minha verdadeira singularidade, que se perdeu ao longo de diversos agendamentos.
Nem sempre estou pronta para me defrontar no espelho, a nudez me assusta. Contudo tento continuar me despindo cada vez mais, para quem sabe, um dia, enxergar minha alma!!!
*Vanessa Ribeiro
Professora, dançarina, atriz e filósofa clínica 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Perder-se...*

 Muitas vezes em nossos caminhos existenciais é preciso deixar perde-se para encontrar-se. Os desvios de caminho, num certo sentido, pode ser um caminho para o encontro com o outro que há em cada um de nós. A angústia de não saber para onde ir, em determinados momentos, é uma sensação de liberdade obrigatória!!! Perceber-se nesses momentos pode ser altamente produtivo para continuar no caminho da busca...
Talvez o descaminho seja o verdadeiro caminho para uma nova percepção de tudo que nos rodeia, principalmente, nossas sombras plurais. O medo de descontrolar-se e não ter a bússola para orientar-se é o que torna a caminhada mais significativa e interessante.
Somos controlados o tempo todo pelos relógios dos compromissos diários, vivemos quase que maquinalmente no cotidiano de nossas vidas. Será que seria esse o caminho? Ou talvez tenhamos deixado, por comodidade, conduzir-se pelas normas sociais? Somos pessoas ou indivíduos manipulados pelo excesso de informação?
Nesses momentos é que percebo a beleza que há naqueles que se distanciaram dessas normas sociais e são chamados de "loucos" por uma sociedade mecânica. Quem são os "loucos" afinal? Nós, os aprisionados na possível certeza de lucidez, ou os "loucos" que se libertaram de suas lúcidas certezas?
E, questionando, percebo que ainda há muito o que se entender da natureza humana. Rotular, agendar termos é mais fácil e seguro que investigar, e, de repente deparar-se com mais incertezas. Isso amedronta aos controlados e aos controladores!!!
São esses caminhos de busca inesgotável que move meu querer aprender mais e mais os motivos pelos quais estamos existindo. Talvez eu nunca consiga chegar a uma conclusão com certezas absolutas, mas as dúvidas movem o mundo e muitas descobertas fantásticas foram realizadas por aqueles que tentaram aproximar-se da verdade.
Afinal, a proposta dos grandes filósofos, desde a antiguidade, sempre foi essa perseguição, quase doentia, pela verdade. Será que a filosofia contemporânea ainda segue essa proposta? Será que não precisamos repensar, na atualidade, o que seja filosofia? Qual seria o papel do pensar filosófico, de forma efetiva, para as atuais questões existenciais?
Acredito que seja preciso rever alguns conceitos. O conceito de normalidade, por exemplo, é extremamente vago numa época em que descobre-se novas perspectivas de "bem viver". Nunca houve tanta informação sobre sexualidade, crenças religiosas e muitas outras questões em relação a ciência, tratamento para doenças incuráveis e inúmeras pesquisas trazendo possibilidades de curas para o corpo físico. Mas e as curas para corpo emocional?
Sim! Evoluímos, terapia para muitos, hoje em dia, não é mais sinônimo de loucura. Remédios psiquiátricos nunca foram tão bem tolerados pela sociedade como nesse século. Talvez até por causa dessa liberdade, muitos médicos, acreditam, que seja necessário a medicação sintética para evitar nossas dores emocionais. Eles também são bombardeados por inúmeras informações.
Evitar o sofrimento é uma tendência atual. É claro que existem casos onde o sofrimento transforma-se em doenças e o medicamento poderá ser um grande aliado. Mas, somente o medicamento sintético? E o conhecer-se a si mesmo?
Será que temos o direito de medicar os rotulados "loucos" sem que eles realmente queiram? Será que eles não deveriam ser questionados se querem permanecer no estado de liberdade ou devemos, realmente, medicá-los apenas sinteticamente? Acredito que muitos profissionais da saúde mental estejam em constante conflito quanto aos melhores tratamentos.
É mais seguro manter, esses seres dotados de sensibilidade, distante do olhar da sociedade. Muitos de nós, na verdade, temos medo de encarar as diferentes singularidades existentes. A necessidade de se identificar é quase que obrigatória. Os agendamentos do "ideal" robotizou nossos sentidos e nos deixou menos questionadores. A vida, cada vez mais exigente, nos rouba o direito do ócio criativo. Ficar atento, nesse momento existencial, poderá evitar nossos "surtos" por falta de extravasar essa necessidade de expressão que é essencial para tentar manter o equilíbrio diante de tantas informações sem profundidade. Precisamos, urgentemente de qualidade, para uma vida de sanidade mental!!!      
É... Continuarei me perdendo para talvez me encontrar!  






segunda-feira, 20 de abril de 2015

Acolhimento...*

Andei por caminhos muito particulares, descobri e revivi muitas dores, muitas alegrias. Enxerguei demasiadamente, adoeci, sofri e renasci. Isso tudo só pôde ser possível por causa do acolhimento que recebi...
Minha família, amigos, médicos, pessoas do coração, casas espirituais e terapeutas, alguns livros, música, palestras otimistas, trabalho e muito trabalho. Andei por caminhos torturantes, febris, medonhos, mas também resolvi praticar a caridade do auto acolhimento!!! Por vezes pensei que a caridade só seria útil se fosse por um outro, por um irmão que sofre, por alguém que menos tem, entretanto descobri a "sangue frio" que a maior caridade é a que permitimos nos dar, por que muitas vezes, somos o irmão que sofre, ou alguém que menos tem, emocionalmente falando, em caso particular.
Descobri a importância de um cuidar voltado para minha alma, sem ficar presa aos termos universais infindáveis como: "olhar para si mesmo é egoísmo". Egoísmo e orgulho é não acolher-se e esperar que um outro faça constantemente esse movimento por você. Para você, para alimentar seus mimos. Aprendi a pedir ajuda sem culpa, de coração aberto, consciente da minha incompletude enquanto ser humano, mostrei um pouco mais minha fragilidade sem perder a força de lutar contra tudo o que me feria emocionalmente. Sou humana, e a cada respirar, vou tomando uma consciência medonha dessa minha condição, do meu lado coragem e medo, alegria e tristeza, euforia e depressão. Desespero. Mansidão!!!
A melancolia faz parte de um pedacinho da minha alma, assim como a alegria. Tenho tentado encontrar um equilíbrio entre as duas, muitas vezes as doses ficam desiguais, mais melancolia e menos alegria, ou vice-versa.
O importante é que neste momento da minha vida estou acolhida por mim e por vários, desde o mais singelo pássaro a cantar até ao mais elevado amor vivente. A causa primaria de todas as coisas que é sinônimo de amor verdadeiro, sublime, me faz sentir tão acolhida que chego a transbordar e a viver um gozo similar ao que os Gregos chamavam de "eudaimonia".
Sou só gratidão!!! Viver e não ter crises é viver de ilusão. O autoconhecimento é doloroso, não vou mentir não, mas é libertador. Mestre Jesus tinha razão ao dizer que o conhecimento da verdade é libertação. A vida se torna leve, compreensível após um sofrimento, após uma revelação, porém, tenho meus medos, gostaria de aprender sem sofrer. Acho que até seja possível, entretanto só com um transbordar de sabedoria.
A todo momento nos deparamos com injustiças, perdas pessoais, frustrações... Como lidar com tudo isso sem sofrimento?
Como assistir aos noticiários com tantas desgraças sociais e dormir em paz? Como? Acredito que só com muita sabedoria que é filha da fé, seja possível viver com resignação.
Que todos sintam-se acolhidos no meu coração!!!          
Vanessa Ribeiro*
Professora, atriz, dançarina, filósofa clínica

terça-feira, 31 de março de 2015

Tudo passou...*


Realmente quando se diz que: "isso vai passar"!!! Pode acreditar. Tudo passa!!!
Por mais triste, pesado, cinza, doído, apertado, confuso que esteja o momento de dor, um dia, uma hora...  num instante a vida vai te surpreender.
Isso também passa!!!
Tudo ficou para lá, longe, num lugar distante, num lugar bonito e reconfortante, numa tarde triste de sol de fim de verão, perto do pico da montanha, num lugar imaginário, escondido, que nem quero lembrar mais.
Só de vez em quando sinto um aperto no peito como se o enorme sentimento de nada fosse invadir novamente minha alma e tragar-me para dentro de uma caixinha escura e vazia. Mas... Ilusão!!! Prefiro andar e dançar com os pés no chão. Aliás, preciso exercitar, todas as horas, permanecer aqui nesse lugar chamado mundo.
E quando, por um descuido, me lembro dos tristes dias, eu me sinto forte e sigo em frente sem dar nem uma pequena olhada para lá.
Não!!! Não olharei para o passado, só interessa o agora e o futuro... Entretanto, só uma vez por semana, numa sala segura e não muito iluminada, eu permito dar uma olhadinha para dentro da caixa, isso tudo como forma de medicamento para a alma.
Quando o corpo adoece é a alma gritando para ser cuidada e tratada... Ela implora por um pouco de atenção e carinho. Aí, paramos tudo e finalmente olhamos para ela.
Cuidar da alma é cuidar do corpo e do coração, foi difícil de chegar a essa conclusão, entretanto quando se chora lágrimas, que nem só suas são, a vida te joga para a realidade e negá-la seria ilusão.
A essência de felicidade que temos nunca se esgota. É interessante perceber, depois de uns meses de sofrimento, que toda aquela vida viva ainda está em ebulição. Tudo que parecia acabado não passa de uma miragem, de um vidro embaçado que de repente foi limpo.
A vida é um pouco estranha... Sempre acreditei em contos de fada, porém acho uma chatice a vida das princesas!!! Tão certinhas! Tão arrumadinhas. Eu não queria ter acreditado que ser princesa seria o ideal. Odeio a vida das princesas. Tão previsíveis... Que coisinha mas sem graça! Eca...
Se é para estar num conto de fadas que eu seja a bruxa então, malvada, livre das convenções!!! Amo a vida das feiticeiras. Muito mais interessante.
Eu acho que minha alma estava precisando dessa libertação, esse expurgo necessário para tornar-me quem realmente sou. Desagendar alguns personagens construídos durante anos, meses, dias, horas, segundos. Estou cansada só de pensar em quantas personagens que eu colecionei ao longo da vida. Será que só eu questiono isso? Será que isso é desnecessário? Será que autoconhecimento traz alegria? Mas, e as sombras?
Feias.
Dolorosas.
A única coisa que sei é que se há sombra deve haver luz e tanto uma quanto a outra fazem parte de uma mesma alma, a minha. Aceito-as de agora para sempre, com respeito e paciência, com perdão e mansidão. Não sou perfeição. Nem preciso ser. Somente quero continuar a dançar com os pés no chão e, se por outro descuido ferir meu pé, chorarei dignamente, mas não lamentarei ter deixado de dançar por medo de me machucar!
*Vanessa Ribeiro
Professora, atriz, dançarina e filósofa clínica.

domingo, 22 de março de 2015

Fases*


Estive escondida dentro de mim, num universo cheio de coisas perdidas!!!

Vi e percebi muitas coisas, entretanto várias dessas coisas não faziam algum sentido.
Encontrei lugares belos e outros medonhos. Tive muito medo de me afogar, mas me mantive firme.

Fiz uma enorme faxina existencial!!!
Sinto-me leve novamente, vibrante e feliz.

Sim! Sou otimista demais! Não posso negar minha natureza,
sinto a pureza das crianças, o barulho das gargalhadas descompromissadas...
Sinto, sinto e sinto muito por incomodar por meu sentir demais.

Exagerada no sentir, intensa no viver, colorida ao me expressar
Pequena na estatura mas enorme nos atos.

Quanto aos anseios me acalmo mais
O tempo de vivência traz muita tranquilidade!
Não sei certo o quanto mudei, porém, sei que muito se transformou aqui dentro do peito!
Morri e renasci várias vezes em pouco tempo...

Descobri que a coragem é mais sábia do que o medo,
ouso me arriscar para ser quem sou!
Correta, coerente? Não sei responder...
Sigo em paz!
A verdade é minha saga, que se inicie por mim, então.

*Vanessa Ribeiro
Professora, atriz, dançarina e filósofa clínica.




  





quinta-feira, 19 de março de 2015

Já consigo enxergar uma luz...*

Fiquei muito tempo naufragada no meu EU existencial, não sabia se era dia ou noite, na minha rotina robótica com pensamentos dos mais variados fui sobrevivendo entre a dor e a esperança de dias melhores. Cada noite era uma promessa de um novo amanhecer mais seguro, mais livre, mais meu. E nesse estado de alma me lancei na fé das mais diversas. Busquei amparo espiritual e, quase como uma beata, clamava cura a Deus. Meu refúgio mais sublime e profundo foi o amor e a acolhida que recebi. Sim!!! Tenho certeza de que o amor cura e alivia a dor, dando um norte para aquele que sofre. Por maior que fosse o sofrimento arrancava forças para mergulhar no meu trabalho que me dá muito prazer. Até minha paixão dominante “a dança” ficou em segundo plano. Não porque eu quisesse, mas porque percebi que não estava entregue o suficiente para desfrutá-la.
E agora que consigo enxergar um filete de sol, um brilho no fim do túnel, minha energia está sendo renovada. Minha fé está cada vez maior e a certeza de que cuidando do corpo, da mente e do meu espírito repousarei em verdes campos, de contentamento e mansidão. A paz começa a chegar bem de mansinho, invade cada uma das minhas células trazendo luz para meu interior, a vida vai se revelando novamente aos poucos e eu vou recuperando aquela alegria que pertence a minha real singularidade.
Tenho consciência de que tudo é muito delicado, precisarei de mais paciência para me recompor por inteiro. Entretanto, para quem esperou tanto tempo para ter a coragem de se desnudar e mergulhar na sombra para aprender a lidar com ela, o tempo é o que menos importa. Há muito tempo aqui dentro e também lá fora. Clareando cada sombra irei recuperando um pouco mais de mim. Os pedaços estilhaçados já não me assustam mais. A coragem e a confiança de estar bem acompanhada me faz querer reconstruir cada pedaço que sobrou. O que não sobrou joguei fora com muita lucidez, guardei muitas coisas desnecessárias no meu mais profundo interior. Minha faxina existencial está se dando por completo, não para me tornar outra pessoa, mas para fortalecer quem eu verdadeiramente sou.


Em momentos de crise se tivermos olhos de enxergar e ouvidos para ouvir descobriremos particularidades de nossa essência que nem imaginaríamos existir. Nas ruas de nossa caminhada existem curvas e desvios, nem sempre devemos seguir em linha reta. Muitos desvios poderão nos mostrar que nossas ideias não são tão complexas quanto imaginávamos. Que a vida pode ser muito mais do que sonhávamos e idealizávamos, basta esperar pelo raio de sol que em algum momento voltará a brilhar. 

Vanessa Ribeiro
Professora, atriz, dançarina e filósofa clínica

segunda-feira, 9 de março de 2015

Confiança...*

Há momentos de fragilidade de alma que a única alternativa para continuar caminhando é confiar. São nesses momentos que nos conectamos com o mais profundo que há em nosso "EU". Momentos de muitos desafios, dores por reconhecermos nossas sombras e hiatos de fé por um amanhã mais confortante. Se mantivermos nossos pés no chão da razão e nossos corações no divino que existe em nós, esses momentos poderão servir para um aprimoramento pessoal de grande valia. A reforma íntima tão pregada por muitas crenças se inicia a partir de nossas dores pessoais, entretanto, se faz necessário uma reflexão e um alargamento de consciência.
Eu, particularmente acredito, que nada, absolutamente nada nessa existência é por acaso! Acredito que uma dor tenha um significado tão importante quanto a lucidez de uma vida saudável. Se aprendermos a significar de forma imparcial os acontecimentos diários, conosco ou com um próximo, perceberemos que a própria vida com sua habilidade de ensinar nos esclarece muito.
Ainda que tudo pareça desconexo e sem sentido, como numa tarde cinza, sem sabor, sem aparente significado definido, pode ser que nas entrelinhas das ruas percorridas por nós, existam muitas cores camufladas e sentidos imperceptíveis num primeiro contato no mundo das sensações pessoais. É necessário ter coragem para tentar identificar as entrelinhas, mergulhar fundo em nosso universo infinitamente único, estar disposto a deixar-se quebrar internamente para que haja uma reconstrução integral.
E, nesse momento de entrega, a confiança se torna uma parceira indispensável. Não é fácil confiar. Algumas singularidades possuem muita dificuldade nesse processo de entrega total!!! Mas a esperança que é irmã da fé, talvez seja a única solução para muitos. Buscar ajuda para fortalecer essa esperança pode ser um caminho viável e muito rico que trará uma calma para a alma no processo de entrega.
Aos poucos, as cores vão começando a ressurgir diante de olhos antes nublados de dor, a vida vai sendo reconstruída a partir de uma lucidez de autoconhecimento profundo. O que antes havia sido despedaçado por tristezas emocionais, pode em muitas situações, revelar a verdadeira identidade de um caminho para a cura e para a luz.
Confiar é deixar fluir, não como num barco sem leme, mas um deixar fluir diante das decisões tomadas no dia-a-dia com reflexões e consciência de nossa imperfeição enquanto seres humanos! Nesse momento de entrega, a culpa e o medo devem ser extirpados da alma fragilizada, a meditação diária e o autorrespeito são ferramentas preciosas dentro dessa transformação pessoal!
Confiemos, pois!!!
*Vanessa Ribeiro
Professora, atriz, dançarina e filósofa clínica.